A humanidade,as mais de 800 gerações humanas que diz-se terem pisado este planeta, viveram sempre convencidas de que a realidade era de UMA forma determinda, a forma na qual a sua cultura e a sua religião eram descritas e apresentadas. No curso da presente geração, a Humanidade passa por uma situação que tem de contar com a presença próxima e permanente de todas as religiões e culturas chamadas 'universais', que tem de conviver competindo umas com outras na apresentação das suas ofertas de sentido."
J. M. Vigil
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PLURALISMO RELIGIOSO
"Esta interpenetração das sociedades, com as suas culturas e religiões, que estão presentes umas nas outras, interpenetrando-se adquirindo pluralismo religioso, é um fenómeno novo ( é novo já que ocorre em dimensões mundiais),e nesse sentido, acaba de começar. Não sabemos o que vai acontecer. Não sabemos como vai ser o homem e a mulher que serão as crianças que hoje crescem neste pluralismo religioso que veio para ficar. Todavia não podemos fazer as reflexões que faremos dentro de 30 anos, quando esta nova geração, nascida e crescida neste ambiente pluralista, tome a palavra e nos diga desde a sua experiência como entende o mundo, uma experiência que nós, os que nascemos e fomos configurados noutro ambiente não de PR, mas de singularidade cultural e religiosa, não podemos imaginar.
Juan Masiá
Juan Masiá é um Teólogo Jesuíta, Professor de Ética da Universidade Sophia (Tóquio) desde 1970, ex-Director da Cátedra de Bioética da Universidade Pontifícia Comillas em Espanha, assessor da Associação de Médicos Católicos do Japão. É tambem investigador do Centro de Estudos sobre a Paz da Secção japonesa da Conferência Mundial de Religiões pela Paz (WCRP).
É autor de vários livros entre os quais "A Sabedoria do Oriente", "Do Sofrimento à Felicidade" e "Tertúlias de Bioética" e um profundo conhecedor da espiritualidade oriental.
Aqui ficam algumas das suas ideias retiradas de uma entrevista que concedeu à TSF em Julho de 2007.
"O tema da evangelização e da missão está a passar por uma mudança decisiva. Eu trabalho com budistas e pessoas de outras religiões e temos um conceito de missão que não significa que eu converta os outros à minha religião, mas que as outras religiões e eu com eles, embarquemos numa nova missão que é ajudar o mundo a despertar para a religiosidade e para a espiritualidade. Dei um curso de introdução, não ao cristianismo mas à religiosidade, com budistas e pessoas de outras religiões. E nesse curso nenhum de nós tentou fazer proselitismo da sua própria religião. O que se torna necessário é que as religiões se unam para colaborar no despertar do mundo para a religiosidade e para a construção da paz e da justiça, a começar pela comunidade local. É uma noção de missão completamente diferente da tradicional."
Sobre a sua missão no Japão:
"Que os japoneses e eu nos convertamos ao mistério que nos ultrapassa a todos. É isto que o Vaticano não entende. Não vamos convertê-los ao cristianismo mas que eles e nós nos convertamos! Chame-se Deus, chame-se Buda, chame-se... aquilo a que nenhum de nós se converteu ainda. Isto é um enfoque muito mais radical da missão e da conversão. Se presumimos que já temos o campo conquistado isso é falar com o tom de segurança que utiliza a Congregação da Doutrina da Fé, no documento Dominus Iesus a propósito da salvação. Esse é o esquema que a nós, os que estamos no Japão, não nos diz nada."
Relativamente ao recente e polémico documento do Vaticano que afirma que a Igreja Católica é o exclusivo lugar de salvação diz:
"Muito simplesmente, nem esse documento nem a Dominus Iesus são admissíveis. Creio que, em consciência e em fidelidade ao Evangelho, é preciso rejeitá-los e dizer – já chega! – com toda a clareza. Há bispos que pensam assim, mas não se atrevem a dizê-lo. Mas é preciso dizê-lo sem medo ainda que incomode. Começam a produzir-se documentos nesta linha e o povo crente olha para eles como se tudo fosse dogma de fé porque vem de Roma. É preciso ensinar o povo a ser adulto, e que não comungue, como se diz em castelhano, com rodas de moinho. Monopolizar o Espírito Santo é muito sério. Diria que nenhuma espiritualidade tem o monopólio do sagrado. Nenhuma religião tem o monopólio do divino. E nenhuma Igreja cristã tem o monopólio do Espírito de Vida. O Espírito Santo diz-nos a todos: já chega de monopolizar-me! Então convida-nos a sair do exclusivismo, do fundamentalismo, a admitir o pluralismo e a perder o medo do relativismo. O Espírito Santo é o único que não muda na Igreja. O Espírito é quem nos faz mudar continuamente...."
E num discurso marcadamente ecuménico e generoso confia ainda que:
"Que o Espírito de vida permanece na Igreja católica, claro que sim, apesar de a Igreja católica, que somos todos nós, atraiçoar muitas vezes o Espírito. E permanece também em todas as Igrejas irmãs, e em todas as religiões irmãs. E, tanto nós como as outras Igrejas e Religiões somos essa mistura de autenticidade do sopro do Espírito e de inautenticidade da nossa fragilidade, da nossa debilidade humana."
É autor de vários livros entre os quais "A Sabedoria do Oriente", "Do Sofrimento à Felicidade" e "Tertúlias de Bioética" e um profundo conhecedor da espiritualidade oriental.
Aqui ficam algumas das suas ideias retiradas de uma entrevista que concedeu à TSF em Julho de 2007.
"O tema da evangelização e da missão está a passar por uma mudança decisiva. Eu trabalho com budistas e pessoas de outras religiões e temos um conceito de missão que não significa que eu converta os outros à minha religião, mas que as outras religiões e eu com eles, embarquemos numa nova missão que é ajudar o mundo a despertar para a religiosidade e para a espiritualidade. Dei um curso de introdução, não ao cristianismo mas à religiosidade, com budistas e pessoas de outras religiões. E nesse curso nenhum de nós tentou fazer proselitismo da sua própria religião. O que se torna necessário é que as religiões se unam para colaborar no despertar do mundo para a religiosidade e para a construção da paz e da justiça, a começar pela comunidade local. É uma noção de missão completamente diferente da tradicional."
Sobre a sua missão no Japão:
"Que os japoneses e eu nos convertamos ao mistério que nos ultrapassa a todos. É isto que o Vaticano não entende. Não vamos convertê-los ao cristianismo mas que eles e nós nos convertamos! Chame-se Deus, chame-se Buda, chame-se... aquilo a que nenhum de nós se converteu ainda. Isto é um enfoque muito mais radical da missão e da conversão. Se presumimos que já temos o campo conquistado isso é falar com o tom de segurança que utiliza a Congregação da Doutrina da Fé, no documento Dominus Iesus a propósito da salvação. Esse é o esquema que a nós, os que estamos no Japão, não nos diz nada."
Relativamente ao recente e polémico documento do Vaticano que afirma que a Igreja Católica é o exclusivo lugar de salvação diz:
"Muito simplesmente, nem esse documento nem a Dominus Iesus são admissíveis. Creio que, em consciência e em fidelidade ao Evangelho, é preciso rejeitá-los e dizer – já chega! – com toda a clareza. Há bispos que pensam assim, mas não se atrevem a dizê-lo. Mas é preciso dizê-lo sem medo ainda que incomode. Começam a produzir-se documentos nesta linha e o povo crente olha para eles como se tudo fosse dogma de fé porque vem de Roma. É preciso ensinar o povo a ser adulto, e que não comungue, como se diz em castelhano, com rodas de moinho. Monopolizar o Espírito Santo é muito sério. Diria que nenhuma espiritualidade tem o monopólio do sagrado. Nenhuma religião tem o monopólio do divino. E nenhuma Igreja cristã tem o monopólio do Espírito de Vida. O Espírito Santo diz-nos a todos: já chega de monopolizar-me! Então convida-nos a sair do exclusivismo, do fundamentalismo, a admitir o pluralismo e a perder o medo do relativismo. O Espírito Santo é o único que não muda na Igreja. O Espírito é quem nos faz mudar continuamente...."
E num discurso marcadamente ecuménico e generoso confia ainda que:
"Que o Espírito de vida permanece na Igreja católica, claro que sim, apesar de a Igreja católica, que somos todos nós, atraiçoar muitas vezes o Espírito. E permanece também em todas as Igrejas irmãs, e em todas as religiões irmãs. E, tanto nós como as outras Igrejas e Religiões somos essa mistura de autenticidade do sopro do Espírito e de inautenticidade da nossa fragilidade, da nossa debilidade humana."
Encontro Inter-Religioso de Meditação
Lentamente, tambem há em Portugal quem ponha em prática iniciativas de diálogo inter-religioso. Como Aqui. Neste caso particular é no encontro de diferentes sensibilidades espirituais de abordar e praticar a meditação, que é dado mais um passo para o sonho da construção de um mundo espiritualmente globalizado onde todos podemos ser verdadeiros irmãos. E mais próximos e atentos, mediados por corações abertos e confiantes, será porventura mais fácil sermos mais justos e menos indiferentes. Talvez com menos dogmas para discutir, ainda que um possa multiplicar-se na sua prática constante: Ser Solidário.
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